Crise sanitária, crise econômica e crise social são uma coisa só

1/16. Se esta crise sanitária não está só começando, mais temível ainda é a dita crise “econômica” que não é diferente em nada: a crise sanitária é, desde o início, uma crise econômica.

2/16. Crise econômica, pela falta de bens básicos suscetíveis a reduções, pela falta de meios materiais e humanos, pelo abismo entre as classes assim como entre os países ricos e pobres, pelos problemas que ela causa e pelos meios utilizados para resolvê-la.

3/16. O desemprego de massas de trabalhadores, a desaceleração da produção e da circulação de mercadorias, tudo nos mostra que o capitalismo se identifica em absoluto com a sociedade, que as relações ditas econômicas são a totalidade da vida social.

4/16. A circulação do valor não é nada senão a totalidade de nossas interações sociais, e todo o teletrabalho do mundo não substitui a produção, a circulação e a venda de mercadorias para os trabalhadores fisicamente encarnados e que podem adoecer.

5/16. A gestão da crise pelo Estado sublinha até qual ponto ele é um elemento indispensável ao bom funcionamento do capital: como em 2008, sua capacidade de centralização e de planificação pode, a todo o momento, tirar o capitalismo das “leis” do funcionamento e da concorrência.

6/16. Sem o Estado, o capital se desmantelaria, mas o Estado mesmo não é senão a objetivação das relações de classe do capital. O proletariado é incessantemente jogado de um lado para o outro pelos dois: um dia desempregado, às vezes eleitor, outro dia um trabalhador temporário, um empréstimo a pagar, benefícios estatais.

7/16. O Estado racionalizará a atividade econômica por um tempo — segundo as razões comuns ao Estado e ao capital — para preservar esta atividade mesma. “Nada será como antes” significa: “Tudo será igual, mas pior”.

8/16. Vai planejar e injetar liquidez, sem que a esquerda se pergunte qual ligação existe entre a liquidez e a famosa “economia real”, se imprimir dinheiro é uma solução, e qual é a diferença entre um banco central e um banco normal.

8/16. O dinheiro pode, por um tempo, voltar a ser mágico e, quando se trata de salvar o capital, se acena como o fetiche absoluto: o interesse geral, a comunidade, talvez a humanidade. “A humanidade”, esta é a base da morte da burguesia.

10/16. Mas não se pode esquecer, à boa moda keynesiana, que esta tomada de comando pelo Estado não pode durar pra sempre, o Estado não se converteu bruscamente ao socialismo — apesar de esse “socialismo” ser apenas uma modalidade de exploração.

11/16. As nacionalizações são uma maneira dentre outras de absorver os déficits dos grupos privados por toda a atividade econômica, sob a tutela do Estado. Privado ou público, em tempos de otimismo ou sob a garantia do Estado, o capital deve circular.

12/16. Todos conhecemos o ditado: “Socializar as perdas, privatizar os lucros”. Mas aqui, “socializar” significa simplesmente que um segmento da burguesia vem ao socorro de outro, e o dinheiro adiantado, como sempre, se apoia na promessa de benefícios futuros.

13/16. Não há contradição alguma entre o que se passa atualmente e o retorno às leis “normais” da marcha da concorrência, as “leis” econômicas se aplicarão novamente, e as dívidas deverão ser pagas e sabemos como e por quem.

14/16. Nós pagaremos por esta crise, porque, como crise social, ela também é nossa. Nós já começamos a pagar.

15/16. A crise econômica não acompanha a crise sanitária, ela já começou e não se encerrará com o fim da pandemia, nem os tumultos e revoltas que são sua consequência lógica, e eles estão apenas começando. Confinar a miséria é impossível.

16/16. Fazer com que essa crise não seja mais nossa, mas do capital, é a nossa única saída para escapar do ciclo infernal das crises. A revolução mundial é tão possível quanto a crise mundial e, como ela, ela se apresenta como uma catástrofe.

Traduções de textos da Esquerda Comunista www.fb.com/proeliumfinale

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